Nesses tempos de desinformação e muita besteira sendo espalhada das formas mais singulares na sociedade, um grupo de amigos decidiu participar desse movimento. Este será o canal usado para tal.
quarta-feira, 21 de novembro de 2018
NOVO ENDEREÇO
domingo, 28 de janeiro de 2018
Atualizações
quinta-feira, 26 de maio de 2016
Sobrevida
A história circulava entre pessoas próximas que relutavam em me contar pessoalmente. Mas palavras não são tudo e através dos olhares e sorrisos frios eu intuía as fofocas obscuras que vez ou outra percorriam as gargantas carregadas de saliva, fumaça e álcool.
Eles diziam que eu estava morto.
A corrente foi exposta por uma antiga amante. Ela me telefonou em um dia qualquer e perguntou sobre como ia a vida. A vida ia como vai qualquer uma. Você acorda de manhã, dá graças a deus por não ter filhos, faz o que precisa fazer para sobreviver, lê o jornal para fingir que liga sobre a merda mais atual que está acontecendo no mundo e arruma qualquer compromisso no fim de semana para ocupar o seu vazio. Se der sorte, transa duas ou três vezes na semana. Com muita sorte, você faz isso com alguém especial. Se der azar, se vê obrigado a não foder ninguém. Com muito azar, tem que trepar todos os dias.
Por isso eu respondi que a vida estava boa. Tão bem quanto poderia estar, obrigado por perguntar. Do outro lado da linha ouvi a risada sarcástica escapando por entre seus dentes perfeitamente brancos. A mesma risada irritante de quando discutíamos. Como de costume, sua expressão facial tomaria o aspecto tenebroso que fez com que nosso relacionamento não durasse seis meses. As narinas estariam dilatadas, a sobrancelha esquerda levantada, os dentes à mostra em sinal de desafio. De anjo à demônio com apenas um sorriso. Em resposta, eu já ensaiava um insulto estúpido que só ela arrancava. Mas ela não me deu tempo.
Não pode estar bem. Dizem que você está morto, ela falou. Dizem muita merda, respondi. E não ligo para o que qualquer pessoa fala sobre mim. Deveria ligar, porque são pessoa próximas que te conhecem bem. Mas eu não ligo do mesmo jeito, respondi por fim e desliguei o telefone.
Foi a última vez que falei com ela, ou com qualquer pessoa que as leis sociais não me obriguem. Diariamente acordo e olho para o criado mudo antes de começar o dia. 75 miligramas de Venlift, 300 miligrama de Bupropiona, a caixa de Rivotril esperando o cair da noite.
Me convenço de que mortos não tomam remédio, e existo por mais um dia.
_______________________________________________________________________
Para lembrar que o blog vive. E, mesmo que esse não seja o caso, os mortos também tem suas palavras.
segunda-feira, 6 de abril de 2015
3 dias em 30 minutos
sábado, 21 de março de 2015
Clássico dos Milhões
domingo, 8 de março de 2015
Resenha - A Guerra dos Tronos
domingo, 22 de fevereiro de 2015
Contos - Severino de Maria do finado Zacarias
domingo, 8 de fevereiro de 2015
Resenha - O Anticristo
domingo, 13 de julho de 2014
Vencedores e Vencidos
domingo, 9 de fevereiro de 2014
"Legítima defesa coletiva"
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
De Volta Para a Aristocracia
É de conhecimento de todos que só existe uma coisa que vende mais jornal que título do Flamengo, trata-se de crise na Gávea. Dessa forma não é de se espantar que os preços para uma partida de futebol tenha ganhado espaço no horário nobre dos canais de TV.
O fato é que o ingresso mais barato para a finalíssima da Copa do Brasil dia 27 no Maracanã está saindo por 250 pratas. Então surge a pergunta que vem movendo debates de botequim a semana toda. Esse valor é justo? Em minha opinião, SIM.
É óbvio que o preço está salgado, mas e daí? Desde quando futebol é primeira necessidade do povo? Se você acha o preço de determinado produto ou serviço caro, você simplesmente não compra. Essa é a melhor manifestação de desaprovação que se pode fazer. E se o preço realmente não corresponder ao valor do produto outros não comprarão, e, com a falta de procura, o mesmo cairá.
Agora me digam. Alguém duvida que o estádio estará lotado para comemorar mais um título do Mengão daqui a duas semanas? Essa é a lei máxima do capitalismo camaradas. Oferta e demanda. O futebol voltou a ser um prazer dos burgueses e os carecas que dirigem o Flamengo estão apenas agindo com visão de negócios.
Nós até reclamamos do custo de vida, mas ninguém exige que se reduzam os valores nos cinemas, restaurantes, shows. Isso seria loucura!
Como Mv Bill já havia explicado, esse alvoroço todo só tem um motivo. "Nosso povo é manso/ Só vira bicho quando o assunto é futebol/ Nudez no carnaval, latinha de Skol".
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
O Rei Voltou 2 (ou quase isso)
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
Diferenças - "Vândalos" x "Ativistas"
![]() |
| Invasão à Toulon - 17.07 |
![]() |
| Invasão ao Instituto Royal - 18.10 |
Fonte:
QUAINO, Lilian. Polícia já tem imagens de câmeras do Leblon, Rio, onde houve vandalismo. <http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2013/07/policia-ja-tem-imagens-de-cameras-do-leblon-rio-onde-houve-vandalismo.html>. 21 de out. de 2013.
MARQUES, E.; JÚNIOR, G. "Prejuízo é incalculável", diz diretor de laboratório invadido em São Roque. <http://g1.globo.com/sao-paulo/sorocaba-jundiai/noticia/2013/10/prejuizo-e-incalculavel-diz-diretor-de-laboratorio-invadido-em-sao-roque.html>. 21 de out. de 2013.
terça-feira, 1 de outubro de 2013
Volta o Cão Arrependido
Bem, antes de mais nada vamos aos números. Quando a folha referente ao mês de Agosto ainda não havia sido arrancada de nossos calendários, durante o primeiro turno, o Botafogo havia vencido dez vezes, empatado em seis ocasiões e sofrido apenas três derrotas, com isso obteve um aproveitamento de 63%. Bem próximo dos 66% que, dizem os matemáticos, é suficiente para se sagrar campeão brasileiro. Pois bem, já no segundo turno do BR13 foram duas vitórias e três derrotas em cinco jogos, resultando em um aproveitamento de 40%. Digno de clubes que brigam para não cair (mas ainda assim melhor que o Vasco).
O mais interessante, no entanto, é ver que o torcedor botafoguense é dono de um otimismo digno de um romance de Eleanor Porter. Por mais que ele esteja (literalmente) careca de conhecer esse tragicômico enredo está sempre disposto a discutir com qualquer torcedor com o objetivo de provar que dessa vez ele será campeão.
Mas devo confessar aos amigos que tenho até certa simpatia pelo foguinho, é quase como um segundo América aqui no Rio. É um clube simpático e possuidor de uma bonita história. Poucos títulos é verdade, mas uma bonita história, e, claro, não faz mal a ninguém.
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
O Especialista Especial
quinta-feira, 29 de agosto de 2013
Direito de protestar
sexta-feira, 23 de agosto de 2013
Não parou por aqui
Escrevi esse texto ano passado, dia 26/12, dias esses em que estava pensando em deixar algumas coisas em 2012, não havia postado até por isso tbm, para que ele mesmo ficasse em 2012, não deu, leiam aí...se quiser sugerir um nome, pode também. Vamos que vamos.
Das coisas que precisam ser ditas
Algumas quero dizer
Outras só quero esquecer
Das coisas que não posso mas quero falar
Algumas deixo escapar
Sobre outras consigo calar
Sobre a maioria, há o que dizer
Mas ninguém o consegue fazer
Sobre a maioria, há o que dizer
Mas ninguém tem o poder
Sobre a maioria todos tentam esquecer
A nova roupagem do racismo e torrada com manteiga
O preconceito. O preconceito racial. O preconceito racial no Brasil. Se você ainda não sabe, o preconceito racial no Brasil se dirige majoritariamente à raça negra. Parece óbvio? Talvez seja para mim, para você e para seu filho. Mas acredite, colega leitor(a), essa questão vem se tornando extremamente embaçada para muita gente que cai na nova armadilha do tradicionalismo branco.
Vou explicar e, antes disso, quero esclarecer alguns pontos. Primeiro, quando falo de raça, me referindo aos humanos, estou cometendo uma grande gafe. Esse conceito retrocede até uma teoria antropológica que já caiu em desuso. Isso significa que a espécie humana não é dividida em raças, mas sim em etnias. Resumidamente, a biologia sugere que nossas diferenças genéticas não são grandes o bastante para nos distinguir enquanto raça. Ainda assim, falarei de racismo, mesmo porque ele parte do ideário dessa divisão inexistente. Ou seja, havendo ou não diferentes raças humanas, o racismo é ainda comum, porque ele parte da ideia dessa concepção falsa e retrógrada. Além disso, a ideia de raças originou grupos sociais históricos que partilham um passado em comum e simplesmente aniquilá-la pode ser problemático. Confuso? Calma, vai piorar.
O conceito biológico que, por um lado, demonstra os absurdos das proposições científicas sobre a superioridade da raça caucasiana pode, por outro, ser usado para esvaziar movimentos de reafirmação de grupos que foram oprimidos por terem características distintas. Estou falando, claro, dos negros. E é nessa tênue linha da existência e da importância da questão racial que a hegemonia branca tenta reafirmar sua posição superior.
Sob a igualdade biológica se abandonam as problemáticas da construção social histórica.
Como? Simples. Não se pode mais falar de raça. O conceito começou a ser invertido e, agora, o verdadeiro racista é o negro. A estratégia do novo movimento não se baseia, portanto, em insistir na superioridade genética da raça branca, mas em esvaziar todos os movimentos de (re)afirmação cultural dos grupos oprimidos, em particular, o da inexistente raça negra.
Agora, amigos, se o negro é o verdadeiro racista nessa sociedade contemporânea, adivinhem quem é a vítima dessa trágica realidade? Sim, o pobre homem branco. Não bastasse a ditadura dos homossexuais, que agora tentam mostrar às crianças que o homossexual é também um ser humano (mimimi kit gay), o homem branco tem de sobreviver igualmente ao racismo dos negros que, com as estupidas cotas raciais (mimimi, raças são iguais), tomam seus lugares no vestibular e nos concursos públicos.
A inversão é assustadora. Sobre o preceito de que não há raças (ou que todas as raças são igualmente capazes, se preferirem) tenta-se agora desprezar a história, fingir que o que aconteceu no Brasil não teve e continua tendo desdobramentos na contemporaneidade. O negro foi excluído da apropriação de terras? Da educação? Das políticas sanitárias? Nada disso importa, dizem, porque hoje a constituição garante que todos são iguais perante a lei.
Veja bem, não há porque buscar igualdade, porque a lei (jurídica e genética) já a garante. Esse é o discurso. E daí que em 2001, 113 anos após o fim da escravidão, o percentual de negros no ensino superior era de 10.2%? As cotas, dizem as vítimas do racismo negro, devem ir apenas para os pobres em geral. Afinal, a raça não faz diferença. Pobre é pobre. E negros e brancos tem, hoje, os mesmos direitos garantidos por lei. Ser preto no Brasil, de repente, não é mais um problema.
A História é posta de lado. Balbucia-se até contra o direito de afirmação negra. “Um negro pode usar camisa dizendo 100% negro, eu não posso usar uma dizendo 100% branco”. Pobre homem branco.
Coloca-se de lado que a afirmação da cultura negra é construída sobre um histórico de opressão da raça caucasiana que, por mais de meio milênio, inferiorizou essa, hoje, inexistente raça. O símbolo é ignorado. A luta contra a opressão é desvirtuada. O negro que se orgulha de sua raça é racista, porque a história está morta e, aparentemente, não repercute em nossa sociedade, independente do que as estatísticas mostram.
A foto que marca essa postagem é a estátua de um garoto negro, segurando um enorme cesto. Presos em seus pés, grilhões deixam claro que ele não é livre. Para quem não sabe essa foto não pertence a um museu. Foi tirada em uma das filiais do supermercado pão de açúcar, em SP. A comunidade negra achou o manequim extremamente ofensivo e o mercado, pedindo desculpas, retirou o artefato que decorava uma de suas alas. Vocês podem ler um pouco a respeito aqui.
Queria saber sua opinião. Como você acha que aquela estátua foi parar ali?
Não vou chegar ao ponto de dizer que o Pão de Açúcar colocou ali o objeto para ofender os negros. Não que eu conheça a mentalidade dos donos do mercado, mas isso seria simplesmente mal para os negócios. O que preocupa é que, seja lá quem colocou a imagem, não conseguiu ver a alusão à escravidão negra. Não percebeu como poderia soar racista a peça de decoração. O poder simbólico estava tão naturalizado nessa pessoa que ela foi incapaz de enxergar o problema. Afinal, o que pode ter de errado em colocar um pequeno escravo negro segurando pães e frutas em um supermercado?
Tive uma pequena discussão no facebook por conta dessa foto. Defenderam, veja só, que os racistas estavam exagerando na ofensividade da imagem. O problema da estátua, disseram, eram os grilhões e não o fato dela ser (também) negra. Disseram que, se o manequim fosse de uma criança branca com grilhões, ninguém veria problema. Percebam: o problema não estava em uma imagem de um negro escravo e, sim, o de fazer alusão a qualquer tipo de escravidão.
A raça negra não poderia se sentir ofendida com esse tipo de coisa. O negro, afinal, não existe. A história está enterrada. O racismo, hoje, é coisa de preto.
PS.: Quanto a torrada com manteiga, descobri recentemente que se você colocar a manteiga no pão antes de jogá-lo na torradeira ele fica pronto mais rápido. Acho que a manteiga age como algum tipo de catalizador, talvez porque ela queime mais rápido. Fica aí a dica.
PS2.: Camarada, não estou te acusando de nada. Só tira um tempo e pensa um pouco no assunto.




