domingo, 28 de janeiro de 2018

Atualizações

Numerosos leitores, esse blog existe já há algum tempo e como a maioria não é atualizado com frequência, mas tem o seu valor e não terá fim.
A principio somos 6 colaboradores, amigos há 18 anos mais ou menos. Estudamos juntos no Colégio Pedro II, unidade São Cristóvão. Nos formamos em 2006. Pouco tempo após a popularização do Orkut, creio que nesse tempo ainda precisava de convite pra entrar. Lá esse blog começou, quando se tornou necessário marcar de se encontrar. A Lapa foi local real inicial, aquela parte entre a pizzaria Guanabara e a FEBARJ, a parte mais barata, dentro das nossas condições naquele momento. Além disso, concluímos que era o local geograficamente mais equilibrado para juntar quem vinha da zona norte, zona sul e baixada fluminense.
Nos formamos em história, geografia, engenharia, psicologia e direito. Estamos bem. Mas agora nos encontramos mais no whatsapp, mas ainda sentimos falta do Orkut, gostávamos das discussões infinitas e nos apps atuais, tudo passa, segue. Estamos com menos vontade de debater, é verdade, não sabemos se é culpa do app ou da tal da maturidade. Já pagamos boletos, uns casaram, uns saíram do Rio de Janeiro, já viajamos juntos ao Peru! Mas o blog está aqui e nós também. Com nossos valores e sem ter fim. Agora de churrasco em churrasco, porque frequentar bar bom está caro e bar sujo não atende mais.


quinta-feira, 26 de maio de 2016

Sobrevida

Disseram que eu estava morto.

A história circulava entre pessoas próximas que relutavam em me contar pessoalmente. Mas palavras não são tudo e através dos olhares e sorrisos frios eu intuía as fofocas obscuras que vez ou outra percorriam as gargantas carregadas de saliva, fumaça e álcool.

Eles diziam que eu estava morto.

A corrente foi exposta por uma antiga amante. Ela me telefonou em um dia qualquer e perguntou sobre como ia a vida. A vida ia como vai qualquer uma. Você acorda de manhã, dá graças a deus por não ter filhos, faz o que precisa fazer para sobreviver, lê o jornal para fingir que liga sobre a merda mais atual que está acontecendo no mundo e arruma qualquer compromisso no fim de semana para ocupar o seu vazio. Se der sorte, transa duas ou três vezes na semana. Com muita sorte, você faz isso com alguém especial. Se der azar, se vê obrigado a não foder ninguém. Com muito azar, tem que trepar todos os dias.

Por isso eu respondi que a vida estava boa. Tão bem quanto poderia estar, obrigado por perguntar. Do outro lado da linha ouvi a risada sarcástica escapando por entre seus dentes perfeitamente brancos. A mesma risada irritante de quando discutíamos. Como de costume, sua expressão facial tomaria o aspecto tenebroso que fez com que nosso relacionamento não durasse seis meses. As narinas estariam dilatadas, a sobrancelha esquerda levantada, os dentes à mostra em sinal de desafio. De anjo à demônio com apenas um sorriso. Em resposta, eu já ensaiava um insulto estúpido que só ela arrancava. Mas ela não me deu tempo.

Não pode estar bem. Dizem que você está morto, ela falou. Dizem muita merda, respondi. E não ligo para o que qualquer pessoa fala sobre mim. Deveria ligar, porque são pessoa próximas que te conhecem bem. Mas eu não ligo do mesmo jeito, respondi por fim e desliguei o telefone.

Foi a última vez que falei com ela, ou com qualquer pessoa que as leis sociais não me obriguem. Diariamente acordo e olho para o criado mudo antes de começar o dia. 75 miligramas de Venlift, 300 miligrama de Bupropiona, a caixa de Rivotril esperando o cair da noite.

Me convenço de que mortos não tomam remédio, e existo por mais um dia.

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Para lembrar que o blog vive. E, mesmo que esse não seja o caso, os mortos também tem suas palavras.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

3 dias em 30 minutos

 "muitos ficaram pasmados ao vê-lo – tão desfigurado ele estava que não parecia ser um homem ou ter aspecto humano (...) Era desprezado como o último dos mortais, homem coberto de dores, cheio de sofrimentos; passando por ele, tapávamos o rosto (...) A verdade é que ele tomava sobre si nossas enfermidades e sofria, ele mesmo, nossas dores (...) o Senhor fez recair nele o pecado de todos nós.”

Era quinta-feira. Ao terminar a ceia Jesus saiu com os seus amigos para orar no Monte das Oliveiras, além do vale de Cedrom, onde havia um horto. Seus discípulos, entre eles Judas, conheciam aquele lugar, porque eles haviam se reunido ali diversas vezes.

sábado, 21 de março de 2015

Clássico dos Milhões

Faço um desafio ao leitor rubro-negro pergunte a um torcedor vascaíno, tricolor ou botafoguense (nesse caso o maior desafio é encontrar um) qual é o maior rival do seu time. Aposto que em 100% dos casos vocês ouvirão a resposta FLAMENGO.

É sabido por todos os cariocas que gostam de futebol que os torcedores dos outros três times da cidade sonham em rivalizar com o Flamengo, nesse caso a pergunta correta deveria ser: "Quem é o maior rival do Flamengo?"

Comparar nossos títulos, ídolos e torcida com os dos coirmãos que frequentam a segunda ou terceira divisão do campeonato nacional chega a ser uma covardia, assim sendo, podemos dizer com certa segurança que não temos rival regional à altura da grandeza do Flamengo. No entanto, sempre há aquele clube que gostamos mais de vencer, e acho que a grande maioria dos 40 milhões de Rubro-Negros espalhados pelo mundo vão concordar que é muito bom, e engraçado, ganhar do Vasco.

É divertido ver como o humor dos vascaínos vão da esperança ao desespero em apenas 90 minutos. Os caras fariam qualquer coisa para ver o time deles ganhar um título que fosse em cima do Mengo. Também não é para menos, nos últimos 27 anos Flamengo e Vasco disputaram 7(!) finais e todas foram vencidas pelo Rubro-Negro. Imagino a dor e vergonha do pai que aos treze anos viu seu Vasco ganhar o campeonato carioca de 88 sobre o maior rival e hoje, já um homem de meia idade, não consegue ver um título sobre o Flamengo ao lado do próprio filho.

Eu, por outro lado, jamais vi meu time perder uma final para o cruz-maltino, e dentre as vastas vitórias que pude acompanhar as que mais ficaram marcadas na minha memória foram:

- segundo jogo da final da copa do Brasil de 2006: o Flamengo tinha ganhado o primeiro jogo com gols de Obina e Luizão, mas não deu mole pra Kojak e também ganhou o segundo jogo com um gol do Juan. Como se esquecer do Valdir Papel sendo expulso nos primeiros minutos do clássico?

- segundo jogo da final do carioca de 2004: nessa final o Mengo também tinha aberto vantagem ao ganhar o primeiro jogo por 2 a 1, mas o segundo jogo foi mágico. 3 a 1 com show de Jean, autor dos três gols. “Arerêê o chope do Eurico eu vou bebeeer....”

- segundo jogo da final do carioca de 2001: só falo uma coisa: “Recordar é viver/ o Pet acabou com você...”

Bem, é provável que no jogo de amanhã teremos 56.678 pagantes e para esquentar me despeço deixando esse vídeo.





SRN