segunda-feira, 6 de abril de 2015

3 dias em 30 minutos

 "muitos ficaram pasmados ao vê-lo – tão desfigurado ele estava que não parecia ser um homem ou ter aspecto humano (...) Era desprezado como o último dos mortais, homem coberto de dores, cheio de sofrimentos; passando por ele, tapávamos o rosto (...) A verdade é que ele tomava sobre si nossas enfermidades e sofria, ele mesmo, nossas dores (...) o Senhor fez recair nele o pecado de todos nós.”

Era quinta-feira. Ao terminar a ceia Jesus saiu com os seus amigos para orar no Monte das Oliveiras, além do vale de Cedrom, onde havia um horto. Seus discípulos, entre eles Judas, conheciam aquele lugar, porque eles haviam se reunido ali diversas vezes.

Enquanto Jesus orava, Judas chegou acompanhado de uma grande multidão enviada pelos sacerdotes armada de espadas e cassetetes. Para que os soldados soubessem quem prender, Judas havia combinado um sinal, dizendo que aquele que ele beijasse era Jesus.

Assim, ele se aproximou do seu Mestre e o beijou.

- Eu te saúdo, Rabi.

- Judas, com um beijo você trai o Filho de Deus? – Virando-se para a multidão - Quem procuram?

Os soldados responderam: - Jesus, o nazareno.

- Sou eu.

Quando ele lhes disse isso a multidão recuou.

- Já lhes disse que sou eu. Então deixem que os outros se vão.

Os soldados aproximaram-se e o prenderam.

Nesse momento Pedro, que era um dos discípulos, atacou um dos soldados do sumo sacerdote com uma espada e lhe cortou uma orelha. O nome desse soldado era Malco.

Então Jesus gritou.

- Embainha a tua espada Pedro! Os que vivem pela espada, morrerão pela espada. Você não sabe que bastaria que eu orasse ao meu Pai e que ele me enviaria legiões de anjos?
Ao tocar a orelha de Malco ele o curou.

- Por que vieram armados para me prender como se eu fosse um ladrão? Todos os dias eu ensinava no templo, e não me prenderam.

Nesse momento todos os discípulos de Jesus fugiram e os soldados levaram-no à Anás, que era o sogro do sumo sacerdote.

Pedro seguiu a multidão de longe até o pátio do sumo sacerdote e sentou-se perto de uma fogueira para se aquecer entre os criados.

Apesar das buscas dos sacerdotes e de todo o conselho por testemunhas contra Jesus, eles não achavam. Porque muitos testemunhavam falsamente e seus depoimentos não eram coerentes.
Por fim surgiram duas testemunhas.

- Nós ouvimos ele dizer que derrubaria o templo de Deus e em três dias construiria outro.

Ouvindo isto Anás perguntou a Jesus: - Não tem nada a responder sobre o testemunho destes?

- Eu falei abertamente ao mundo. Sempre ensinei na sinagoga e no templo e nada disse em oculto. Sendo assim, para que me pergunta? Faça essa pergunta aos que ouviram o que eu ensinei.

Então Jesus levou uma bofetada de um dos soldados que estavam ali.

- Assim respondes ao sogro do sumo sacerdote?

- Se falei mal, por favor, me diga em quê. Se não, por que me bate?

Depois disso Anás mandou que levassem Jesus ao seu genro, o sumo sacerdote Caifás.

Caifás dirigiu-se a Jesus e perguntou: - Nos diga se você é Cristo, o Filho de Deus Bendito.

- Você disse. Mas eu digo ainda que verás em breve o Filho de Deus sentado à direita do Poder e vindo sobre as nuvens do céu.

Ao ouvir isto Caifás rasgou as suas roupas e gritou.

- Blasfemou! Para que ainda precisamos de testemunhas?

E todos do conselho consideraram Jesus culpado de morte. Então os soldados começaram a cuspir nele e, após cobrir-lhe o rosto, deram-lhe pauladas ordenando que adivinhasse quem batia nele.

Pedro ainda estava sentado do lado de fora, no pátio quando se aproximou dele uma criada.

- Você também estava com Jesus, o galileu.

Mas ele negou dizendo: - Eu não o conheço.

Quando outra criada o viu disse aos que estavam ali: - Este também estava com Jesus.

- Nem conheço esse homem. – Foi a resposta de Pedro.

Então um dos soldados que estavam perto da fogueira se aproximou.

- Você é um deles, porque também galileu. Seu sotaque te denuncia.
- Eu juro! Não conheço esse homem.

Nesse momento o galo cantou e Pedro se lembrou de que durante a ceia Jesus tinha lhe dito que antes que o galo cantasse Pedro o negaria três vezes. Pedro saiu do pátio e chorou amargamente.

Quando viu que Jesus foi condenado pelo conselho, Judas se arrependeu de ter entregado seu Mestre e levou as trinta moedas de prata aos sacerdotes no templo.

- Traí o sangue de um inocente.

- O que isso nos importa? Isso é problema seu.

Ao ver que sua traição não tinha mais volta Judas atirou as moedas de prata e fugiu do templo.

- Não é bom colocar essas moedas no cofre das ofertas, porque elas compraram sangue. – Disse um dos sacerdotes.

Então eles compraram com elas o campo de um vendedor de tijolos e panelas de barro, para que servisse de sepultura para os estrangeiros. E até hoje aquele lugar é conhecido como Campo de Sangue.

Dias depois Judas foi encontrado enforcado fora da cidade.

Pela manhã da sexta-feira os sacerdotes levaram Jesus para o entregarem a Pilatos, que era o prefeito romano da província da Judéia.

- Que acusação trazem contra este homem?

- Se ele não fosse criminoso não o traríamos.

- Então julgue-o segundo a sua lei. – Respondeu Pilatos.

- Não podemos matar pessoa alguma. Esse agitador proíbe que se pague tributos a César, e dizer que ele mesmo é Cristo, o rei.

Virando-se para Jesus Pilatos perguntou: - Você é o Rei dos Judeus?

- Diz isso por você mesmo ou te disseram de mim? – Foi a resposta de Jesus.

- A tua nação e os sacerdotes te entregaram a mim. Que fizeste?

- O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo os meus servos lutariam para que eu não fosse entregue, mas o meu reino não é daqui.

- Então você é um rei?

- Você diz que eu sou rei. Eu nasci para isso e para isso vim ao mundo, para dar testemunho da verdade. Todos que são da verdade me seguem.

- O que é a verdade? Não ouve que te acusam? Não tem nada a responder?

Mas Jesus não falou mais nada.

Sabendo que Jesus era galileu enviou-o a Herodes uma vez que aquela era sua jurisdição.

Quando Herodes viu Jesus alegrou-se muito. Havia muito tempo que desejava vê-lo, pois ouviu coisas sobre ele e esperava que veria Jesus fazer algum milagre.
Mas por mais que o interrogasse, Jesus nada lhe respondia. Então Herodes vestiu-o com uma roupa resplandecente e tornou a enviá-lo para Pilatos.

Ao ver Jesus novamente o prefeito disse:
- Não acho nele crime algum. Nem mesmo Herodes encontrou.

Por causa da Páscoa o prefeito da província costumava soltar um preso escolhido pelo povo.

- Vou castigá-lo e soltá-lo. Querem que eu liberte o Rei dos Judeus?

Naquela época havia um preso chamado Barrabás, que tinha cometido um assassinato.

- Quem querem que eu solte? Barrabás, ou Jesus, chamado Cristo?

Mas os sacerdotes persuadiram à multidão para que pedissem por Barrabás.

- O que querem que eu faça com Jesus?

- Que ele seja crucificado! – Respondeu a multidão.

Vendo que o tumulto crescia, Pilatos tomou água e lavou as mãos diante da multidão.

- Estou inocente do sangue deste justo.

- Nós temos uma lei e segundo a nossa lei ele deve morrer porque diz ser o Filho de Deus.

E Pilatos, quando ouviu isto, perguntou a Jesus: - De onde você é? - Mas Jesus não lhe deu resposta.

- Não sabe que tenho poder para te crucificar e tenho poder para te soltar?

- Nenhum poder teria contra mim se não te fosse dado de cima. Mas aquele que me entregou tem culpa maior.

Pilatos perguntou ao povo: - Hei de crucificar o vosso Rei?

- Não temos outro rei além de César! – Gritaram.

Então soltou Barrabás, mandou açoitar Jesus e o entregou para ser crucificado.

E logo os soldados de Pilatos vestiram Jesus de púrpura, teceram uma coroa de espinhos que lhe puseram na cabeça, e em sua mão direita colocaram um bastão. Então ajoelharam-se diante dele.
- Salve ó rei.

Em seguida cuspiram nele, tiraram-lhe o bastão e bateram com ele em sua cabeça. Quando terminaram tiraram dele a capa, o vestiram com as suas próprias roupas e o levaram para ser crucificado.

Ensanguentado, Jesus não tinha forças para carregar a cruz sozinho, então forçaram um cireneu, chamado Simão, que passava por ali vindo do campo a ajuda-lo. Uma grande multidão os seguiam e as mulheres batiam no peito e choravam.
Porém Jesus voltou-se para elas.

- Filhas, não chorem por mim. Chorem por vocês mesmas e por vossos filhos. Porque virão dias em que dirão “Bem-aventuradas as estéreis, e os ventres que não geraram, e os peitos que não amamentaram”.

Quando chegaram ao lugar chamado Gólgota, deram vinagre misturado com fel para que Jesus bebesse mas ele não tomou.

Eram três horas quando o pregaram na cruz. Enquanto os cravos atravessavam a sua carne Jesus orava pelos seus carrascos:

- Pai, perdoa-os, porque eles não sabem o que fazem!

Quando os soldados terminaram de crucificar Jesus, pegaram as suas roupas e dividiram em quatro partes, uma para cada soldado, mas havia também a túnica. A túnica era tecida toda de alto a baixo e não tinha costura.

- Não vamos rasgar a túnica. Vamos sorteá-la para ver de quem será.

Acima de sua cabeça puseram escrito a acusação “Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus” em três idiomas.
Com Jesus também foram crucificados dois assaltantes, um à direita e outro à esquerda. E os que passavam por ali insultavam ele.

- Você, que destruiria o templo e em três dias o reconstruiria, salve a si mesmo. Se é Filho de Deus, desce da cruz!

- Salvou os outros, e a si mesmo não pode salvar. Se é o Rei de Israel, desça agora da cruz!
E um dos assaltantes que estava pregado também insultava Jesus.

- Se você é o Cristo, salve a si e a nós também.

No entanto, o outro ladrão o advertiu.

- Você não teme a Deus estando na mesma condenação? Na verdade recebemos o que merecíamos, mas ele não fez nenhum mal. Senhor, lembre-se de mim quando entrar no seu reino.

- Hoje você estará comigo no Paraíso. – Respondeu Jesus.

Então, olhando para baixo, viu sua mãe aos pés da cruz, e ao seu lado estava João, um de seus discípulos, amparando-a.

- Mulher, aí está o seu filho. Amigo, aí está a sua mãe.

Ás seis horas o céu escureceu de forma que não se via nem mesmo as estrelas, e perto das nove horas Jesus exclamou: - Meu Deus, por que me abandonaste? – E completou. - Tenho sede.

Os soldados embeberam uma esponja com vinagre e levaram a boca de Jesus.

- Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. Está consumado.

O Cristo inclinou a cabeça e entregou o espírito.

...

Nesse momento houve um grande terremoto e as pedras racharam-se, os sepulcros se abriram e muitos corpos foram ressuscitados. Mais tarde os mortos saídos de seus túmulos entraram na cidade santa. O centurião e os que guardavam os condenados tiveram muito medo.

- Realmente este homem era o Filho de Deus.

Como aquela era a véspera da festa da Páscoa não convinha que os corpos ficassem na cruz, então Pilatos ordenou que se quebrassem as pernas dos condenados para que morressem mais depressa. Os soldados obedeceram, quebrando as pernas dos dois ladrões, mas ao ver que Jesus já estava morto não quebraram suas pernas. Ao invés disso, um dos soldados o perfurou com uma lança, e do ferimento jorrou sangue e água.

José de Arimatéia, um honrado senador que também era seguidor de Jesus, foi a Pilatos pedir permissão para retirar o corpo da cruz. Foi também Nicodemos levando quase 50 quilos de um composto de mirra e aloés. Tomaram o corpo de Jesus e o envolveram em lençóis com as especiarias como preparação para o sepulcro.

Havia um jardim próximo ao Gólgota, e nele um sepulcro novo onde colocaram o corpo, então lacraram a porta com uma grande rocha e retiraram-se.

No sábado os sacerdotes foram até Pilatos.

- Senhor, aquele enganador uma vez disse que depois de três dias ressuscitaria. Então ordene que o sepulcro seja guardado com segurança até o terceiro dia para que os seus discípulos não o furtem e digam ao povo que ele ressuscitou dentre os mortos.

- Levem os soldados. Vão e guarde-o como entenderem melhor.

Após a páscoa, no domingo, Maria Madalena e Maria, mãe de dois discípulos de Jesus, foram ao sepulcro, de manhã cedo, ao nascer do sol.

-  Quem removerá a pedra da porta do sepulcro para nós?

Porém, ao chegarem ao local viram que a pedra já havia sido removida. Ao entrar no sepulcro viram um jovem sentado vestindo uma roupa comprida e branca como a neve, e ficaram espantadas.

Os guardas de Pilatos estavam paralisados de medo dele.
Ao vê-las o jovem virou-se para as mulheres.


- Não tenham medo. Eu sei que procuram Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui, porque já ressuscitou, como havia dito. Vão imediatamente e digam aos seus discípulos que ele irá encontra-los na Galiléia.

sábado, 21 de março de 2015

Clássico dos Milhões

Faço um desafio ao leitor rubro-negro pergunte a um torcedor vascaíno, tricolor ou botafoguense (nesse caso o maior desafio é encontrar um) qual é o maior rival do seu time. Aposto que em 100% dos casos vocês ouvirão a resposta FLAMENGO.

É sabido por todos os cariocas que gostam de futebol que os torcedores dos outros três times da cidade sonham em rivalizar com o Flamengo, nesse caso a pergunta correta deveria ser: "Quem é o maior rival do Flamengo?"

Comparar nossos títulos, ídolos e torcida com os dos coirmãos que frequentam a segunda ou terceira divisão do campeonato nacional chega a ser uma covardia, assim sendo, podemos dizer com certa segurança que não temos rival regional à altura da grandeza do Flamengo. No entanto, sempre há aquele clube que gostamos mais de vencer, e acho que a grande maioria dos 40 milhões de Rubro-Negros espalhados pelo mundo vão concordar que é muito bom, e engraçado, ganhar do Vasco.

É divertido ver como o humor dos vascaínos vão da esperança ao desespero em apenas 90 minutos. Os caras fariam qualquer coisa para ver o time deles ganhar um título que fosse em cima do Mengo. Também não é para menos, nos últimos 27 anos Flamengo e Vasco disputaram 7(!) finais e todas foram vencidas pelo Rubro-Negro. Imagino a dor e vergonha do pai que aos treze anos viu seu Vasco ganhar o campeonato carioca de 88 sobre o maior rival e hoje, já um homem de meia idade, não consegue ver um título sobre o Flamengo ao lado do próprio filho.

Eu, por outro lado, jamais vi meu time perder uma final para o cruz-maltino, e dentre as vastas vitórias que pude acompanhar as que mais ficaram marcadas na minha memória foram:

- segundo jogo da final da copa do Brasil de 2006: o Flamengo tinha ganhado o primeiro jogo com gols de Obina e Luizão, mas não deu mole pra Kojak e também ganhou o segundo jogo com um gol do Juan. Como se esquecer do Valdir Papel sendo expulso nos primeiros minutos do clássico?

- segundo jogo da final do carioca de 2004: nessa final o Mengo também tinha aberto vantagem ao ganhar o primeiro jogo por 2 a 1, mas o segundo jogo foi mágico. 3 a 1 com show de Jean, autor dos três gols. “Arerêê o chope do Eurico eu vou bebeeer....”

- segundo jogo da final do carioca de 2001: só falo uma coisa: “Recordar é viver/ o Pet acabou com você...”

Bem, é provável que no jogo de amanhã teremos 56.678 pagantes e para esquentar me despeço deixando esse vídeo.


video



SRN

domingo, 8 de março de 2015

Resenha - A Guerra dos Tronos

A resenha de hoje não é exatamente uma resenha. Segundo a Wikipedia As Crônicas de Gelo e Fogo já venderam 25 milhões de exemplares e Game of Thrones é assistido por 20 milhões de espectadores, então parto do principio de que todo mundo já está careca de conhecer o enredo da história criada por George Martin.
Bem, eu acabei de terminar o primeiro livro da saga após dois meses de leitura. Diferente do que normalmente faço resolvi partir para os livros depois de ter assistido todas as temporadas disponíveis da série e gostaria de falar sobre três trechos que me chamaram mais atenção nele.

"Nunca se esqueça de quem é"
No início do história, quando o anão/herói Tyrion está em Winterfell, ele tem a seguinte conversa com o bastardo Jon Snow:
"Nunca se esqueça de quem é, porque é certo que o mundo não se lembrará. Faça disso sua força. Assim, não poderá ser nunca a sua fraqueza. Arme-se com essa lembrança, e ela nunca poderá ser usada para magoá-lo."
Nesse momento de "auto-ajuda" do livro podemos nos colocar no lugar do bastardo e tentar aplicar o conselho do autor em nossas vidas. Nenhum de nós é exatamente o que queria ser, todos idealizamos um modelo e buscamos alcançá-lo, ao mesmo tempo que nos envergonhamos de nossas fraquezas e tentamos escondê-las. Por mais que essa busca pelo "ideal" possa ser o combustível para nosso desenvolvimento pessoal, é importante que antes possamos entender e aceitar quem realmente somos. Não acho que alguém duvide que este seja o caminho para nos tornarmos mais sadios.

"pois o amor é o veneno da honra, a morte do dever"
Nas sábias palavras do Meistre Aemon para o bastardo Jon o ancião tenta explicar ao jovem Snow que não é possível seguir dois mestres. Ele deve escolher entre seus sentimentos ou o juramento de obediência que fez. Como diz o velho, o que é o dever comparado aos braços da amada, ou as necessidades de um filho? Apenas palavras...

"Se a vida não tinha valor, que valor tinha a morte?"
A pergunta de Daenerys no final do livro é a nossa grande questão. A vida que vivemos agora é essa. Mesmo se houver outra não será como esta. Acho que nem mesmo para aqueles que acreditam em reencarnação. Nossas experiencias são únicas e cada atitude nossa é percebida de uma maneira diferente dependendo da fase que vivemos. Beijar a mesma mulher nos dá sensações diferentes em diferentes épocas, da mesma forma que beber a mesma cerveja com os mesmos amigos há vinte anos não terá sempre o mesmo sabor. O sentido da vida deve estar em usar nossos sentidos para saboreá-la.

É isso. Feliz dia das mulheres para todas as leitoras.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Contos - Severino de Maria do finado Zacarias

O sol ainda não nasceu, mas seu despertador já está chamando. Ele não demora a se levantar, já está acostumado e sabe que não tem muito tempo. Coloca água para ferver, veste-se, escova os dentes, lava o rosto e passa o café. Apenas uma xícara, negro e amargo. Engole a bebida e sai.

A rua ainda está escura.

Há um ponto de ônibus próximo a sua casa, mas ele prefere caminhar até o ponto final, o esforço é compensado com um banco vazio. A viagem dura uma hora, mas ele sabe que ainda pegará outro ônibus. A perspectiva não o anima, então ele se recosta e fecha os olhos. Cochilando a viagem passa mais rápido.

Ele abre os olhos.

É hora de saltar, o outro ônibus já está saindo e desta vez a viagem será em pé. Ele corre e consegue pegá-lo. Está lotado! Não dá para passar na roleta, mas tudo bem, todos vão saltar no mesmo ponto. Um colega grita seu nome e eles conversam sobre o futebol e a novela.

Mais uma hora de viagem.

O ônibus para. Ainda faltam 10 minutos, dá tempo de comer um pão com mortadela na barraca em frente ao portão da obra. Ele pega o crachá na mochila e entra. Poeira e lama, brita, areia e cimento.

Hora do almoço.

Risos, provocações e brincadeiras. Ele engole a comida rápido para poder tirar um cochilo. Uma hora de intervalo não dá para muita coisa. A tarde ele carrega tijolo e argamassa, ouve gritos do encarregado e...

Fim do expediente.

Ao sair na portaria é revistado pelo segurança, mas ele está acostumado. No caminho de volta engarrafamento, pelo menos está sentado. Enquanto pensa na novela e na cama que o espera quando chegar em casa ele adormece.
Amanhã fará tudo novamente.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Resenha - O Anticristo

Sejam bem-vindos leitores(as). Vamos ver se nesse novo ano conseguiremos manter o blog mais atualizado. Tentarei assumir um compromisso de fazer uma espécie de resenha totalmente parcial dos livros que for lendo durante o ano. Parece que opinião alheia atrai interesse das pessoas.
O primeiro livro será “O Anticristo” de Nietzsche.

Vamos lá.

Ler “O Anticristo” me deu a mesma sensação de quando leio comentários preconceituosos contra nordestinos ou pobres. Daqueles em que patricinhas destilam nas redes sociais da vida enquanto que a “nordestina pobre” faz sua comida. Um sentimento que é um misto de revolta, incredulidade, vergonha alheia e pena.

Fiquei com uma impressão muito ruim do autor, no entanto, por ser meu primeiro livro de Nietzsche pretendo futuramente dar novas oportunidades para sua obra e analisarei aqui apenas este livro.

Em “O Anticristo” Nietzsche incorporou o coxinha padrão, que toma sua opinião como a verdade máxima e expressa seu ódio contra todos que não concordam com ele. Talvez ao escrevê-lo já tivesse perdido suas faculdades mentais, entregue em sua loucura devido a sífilis. Sendo assim, talvez eu não devesse dar mais crédito a esse livro que aos gritos desvairados de um lunático, destes que encontramos nas ruas do centro da cidade.

Neste livro encontramos verdadeiras pérolas como quando ele afirma que a desigualdade dos direitos é uma condição necessária para o surgimento de “tipos mais elevados e supremos”, esquecendo-se que não somos mais primatas nas savanas africanas regidos pela lei da sobrevivência do mais apto, mas que vivemos em uma sociedade, cujo maior objetivo deveria ser proteger todos os seus indivíduos. Ele sustenta sua teoria na ideia de que “uma sociedade elevada é como uma pirâmide”, necessita de uma base larga onde é indispensável uma “mediocridade consolidada”.
Em outro ponto ele afirma que a injustiça não está na desigualdade dos direitos, mas na reivindicação de direitos iguais(!). Parece esquecer-se que igualdade de direitos é imprescindível para a igualdade de oportunidades para todos.

Voltando-se para o principal alvo de seu livro Nietzsche é taxativo ao afirmar que “Todo trabalho do mundo antigo foi em vão”. Tomando como exemplo gregos e romanos tenta provar que o cristão foi o grande responsável pelo atraso na evolução do homem. Com um pensamento eurocêntrico ignora completamente as antigas culturas orientais e americanas que não foram influenciadas pelo cristianismo no primeiro século.

Por fim, ao ler afirmações como: “A quem odeio mais entre a ralé de hoje? A ralé dos socialistas, os apóstolos que minam o sentimento de satisfação que o trabalhador tem de sua pequena existência – que o tornam invejoso”, e “o cristão... Esse verme (...) esse bando covarde, efeminado e meloso.” compreendi que seria impossível para alguém transbordando de ódio infundado tolerar uma religião cujo um dos maiores mandamento é “Amai ao próximo como a ti mesmo”.